quinta-feira, 19 de julho de 2018

Alba

De todos os males do mundo, apenas o medo me assusta. Redundante, eu sei. Mas o medo de qualquer coisa em mim transtorna-me.
Na madrugada receio-me; encho-me de medos inexistentes e de dúvidas cheias de certeza.
Pensando bem, talvez não seja o medo que me assusta, mas sim a insónia madrugadora.
Maldição a minha de ser possuída por uma alma cheia de inspiração! Maldição a minha de ver atavés de meus olhos confissões ao papel.
Sei que sou mais, que sou maior, mas quando o mundo pára e adormece, reduzo-me a uma existência dúbia cheia de receios de algo que não receio nunca.
Que disparate (me) sou (...por vezes)!
Um planeamento perfeito atravessa a minha mente e oh!, só eu sei o quanto odeio planos.
Mil futuros cruzam meu ser e, que horror!, só eu sei o tormento que me causam os futuros.
Ridícula a maneira como me ridicularizo e caio no ridículo.
Nas madrugadas silenciosas, corpos caem nas suas camas enquanto eu caio no papel. E caio, de tanto tropeçar; e levanto-me, sabendo que cairei novamente.
Se ao menos o pudesse evitar... Oh, mas minhas mãos nas as controlo, minhas palavras não as penso e tudo o que vou desenhando, não sou que realmente desenho. É este qualquer coisa infernal que me invade e deixa vazia, que me enche e tudo leva de mim... Sim, é este qualquer coisa que pensa e diz e escreve.
Amarrada em mim pelas cordas do tempo numa sala de dúvidas escrevo, e escrevo sem fim, pensando o que será de mim (,depois).
E, da mesma maneira que me agarram, largam-se e as palavras desaparecem juntamente com a inspiração, com o medo, com a dúvida, com os planos, com o futuro e com o amor.
Saio de mim, voltando a ser e não sou mais vazia, deixando de sentir num misto de emoções e sentimento.

.... Parece que também o sentido me abandonou.

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