terça-feira, 11 de junho de 2019

Strada

Estradas infinitas. Vidas eternas. E tudo o que poderia não começar, teima em não acabar. 
Encontro-me na plenitude numa planície cujas características não nos deixam enganar. 
Seguro forte numa mão que conheço, ainda antes de me conhecer. 
Olho nos olhos de alguém que sempre existiu, ainda antes de existir.
E sorrio na loucura d'um sorriso que jamais sorriu. É enlouqueço numa loucura premeditada e num cigarro mal aceso.
Invade-me uma inspiração, no meio do nada, sem papel e sem caneta. Mas ela perdura. E perdura até encontrar uma saída.
E eu choro-a sem lágrimas; e eu rio-a sem gargalhada; e eu grito-a sem voz; e eu beijo-a sem lhe tocar;... E a estrada não acaba.
Para minha felicidade não encontro o fim da estrada, da planície, do gado, das oliveiras, dos sobreiros. Não encontro o fim de nada, nem o procuro sequer! - aliás, temo-o.
Porque haveria eu, afinal, de procurar o fim do caminho mais belo que encontrei?
Entre curvas vagarosa e retas aceleradas, nada mais me conforta que esta estrada velhinha, repleta de altos e baixos provocados pelas raízes de uma vida inteira. 
Ah!, que encontrei minha estrada eterna, minha vida infinita. 
Ah!, que já me morri e já me vivi em tantos sorrisos amorosos, olhares apaixonados, fôlegos arritmados e choros disparatados. 
Que vida eterna busco aqui! (que vida eterna busco em ti). 
E, se um dia, por ventura, encontrar o fim da estrada, lá pararei, eternamente, admirando a paisagem, segurando a mão, olhando nos olhos, sorrindo disparatadamente. E beijando-te - até que a estrada continue. 

Sem comentários:

Enviar um comentário