Por vezes lembro-me de ti.
E que felicidade me é, sonhar-te sem nos sonhar! Que alívio sinto quando me apercebo que minhas pernas não balançam, meu coração não aperta e meus olhos não se enchem de saudade.
Que maravilha é não te sentir, a ti, que tão perfeito foste, sem nunca parar de errar.
No outro dia lembrei-me de ti.
E quão grande me senti, ao perceber que não passas já de uma lembrança longínqua, cheia de desgraça e amor por (não) dar.
Com certeza nunca deixarei de recordar, afinal, o amor será eterno, mesmo no dia em que deixar de o sentir.
Sem crenças, creio no destino. Creio que o destino não nos quis e que estávamos destinados a ser apenas um breve momento que durou eternidades.
Talvez tenhamos sido um reencontro de almas ou vidas passadas. Talvez tenhamos sido um ponto final.
Pouco importa isso agora. Interessa, tão somente, que me devolveste uma inspiração profunda.
Levaste-me o pouco que tinha para dar, mas deste-me o que jamais ser algum me conseguiu oferecer. E, por isso, meu bem, podes ficar comigo eternamente, mas não me devolvas - não preciso de mim.
Um dia roubar-me-ei a outro alguém e talvez lhe deixe um pouca da musa que deixaste em mim.
Que mais posso eu oferecer a um ser que uma inspiração divina para criar as mais belas artes do mundo?
Não quero amar. Não quero sonhar. Tã' pouco quero perder-me em terceiros. Quer, tão somente, me ser, para sempre, mesmo que nada seja.
Então, peço aos deuses (que talvez não existam) que não deixem peito algum sofrer por mim, que minha alma, já velhinha, não tem mais paciência para tais ridicularidades.
Peço aos deuses (que talvez não existam) que me deixem só, em meu refúgio, cantando a mais bela poesia a quem passar, sem que seus corações caiam. Porque um coração caído arranca o de outro e eu não tenho já coração para dar.
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