terça-feira, 21 de junho de 2016

Mare

(N)Uma mudança de ares, uma mudança de vida.
O ser grita pela novidade, desespera na rotina.
As mesmas caras, as mesmas vozes, os mesmos perfumes. A repetição repetida (a)tormenta-me.
Resido em mim e eu não a minha única casa. Não fujo de mim - fujo do que rodeia.
Ah, que vontade de correr o mundo!, (a)pegar e abandonar!, amar e odiar!, tudo deixar para trás e tudo levar comigo.
Não há maior prazer que se tão livre, tão só, tão minha! E quão bom é poder partir sem nada perder!
Talvez um dia vá. Talvez um dia deixe. Talvez um dia não volte mais. Talvez hoje seja o dia.
Mas o tempo não passa e o hoje não chega a mim.
Quero correr!, quero voar!, para lá de mares e oceanos, para lá de tudo o que não quero mais.
Desejo desejas, desejo viver - o sonho, a paixão, o amor. Desejo querer, ficar e querer ficar.
Vejo à distância tudo o que procuro, tudo o que me conforta, tudo o que amo, todo um futuro. Vejo, ao longe, minha alma.
Um dia voltarei a tê-la em mim e, nesse dia, serei de novo dependente de sentimento - mas, quando esse dia chegar, não saberão mais meu nome, não ouvirão mais minha voz e não sentirão mais meus perfume. Quando dependente voltar a ser, meu corpo estará longe, perdido em corpos e copos desconhecidos.
Oh, pobres daqueles que temem a mudança! Pobres daqueles que não vivem de sonhos e amores! Pobres daqueles que se prendem pela pátria amada!
Espero, em breve, voltar a sentar-me nesta cadeira, com um brilho no olhar. E, aqui, espero escrever a minha última carta.
E, enquanto espero, sonho e procuro, em meu coração, a maneira mais rápida de cruzar os céus em busca de minha amada alma.
Sei, creio, que, mais depressa do que possa escrever, não estarei mais aqui. Creio, sei, que voarei em direção ao sonho, mais depressa que qualquer novo pensamento.

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