quinta-feira, 14 de abril de 2016

Inrelações

A negação da vida preenche o ser. As inrelações que mantém num amoroso desespero destroem a vida. E tudo o que nunca aconteceu é tudo o que nos resta.
Contradições da substância, da essência, do mundo e do nada. Belas contradições desesperantes, desconcertantes, feias! São elas, apenas elas, que me fazem viver.
Não sei o que nelas vi, ou senti. Não sei o porquê de tanto as amar, mesmo com todo o sofrimento que em mim despertam. Ou talvez saiba, mas passe no mundo a o negar.
Ah, que me falta a coragem para admitir o que há nelas que me fascina! Ah, que morro de saber o olhar apaixonante que nelas há!
Oh, vida... Que tudo de mais belo no mundo me desama e abandona, sem nunca, realmente, partir.
Poderia (te) escrever, claro e sem palavras nas entrelinhas, mas falta-me a força.
Deixo, então, tudo por dizer, tudo dizendo. Vivo relacionada com as inrelações e apaixonada pelas despaixões.
Pergunto-me o  porquê de continuar a escrever, negando a resposta que em mim grita. Ai, que me é mais fácil negar que aceitar o nada, o amor, a alma, o ser! Mais fácil me é viver na negação que aceitar o horror que a vida é.
Ah... Nada mais ouso no papel desenhar. Com tanto que em mim reside, nada consigo exteriorizar.
Talvez seja eu, talvez sejas tu. Talvez sejamos nós, ou o nós que nunca viveu.

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