Escrevo, e escrevo atentamente, à morte que sai do cinzeiro e impesta o quarto com o seu cheiro.
Escrevo, e escrevo atentamente, ao fumo que se eleva e paira sob o teto antes de este o absorver.
Escrevo, e escrevo atentamente, à janela que se encontra aberta na ilusão de mandar os odores embora. (Na realidade esta apenas me gela o quarto com um vento frio do final de tarde noturno)
Atentamente, atento à ilusão da janela e à metáfora do fumo.
Sem atenção, deixo queimar tudo enquanto tento matar a sede em qualquer coisa que não água.
Divago e perco-me no meio dos papeis e das fotos recentemente antigas. Foco-me em tudo sem me focar em nada e perco a noção do que rodeia.
Isto é só um vazio.
Um vazio cheio de memórias, fumo e ligeiro aroma a álcool. Isto é só um vazio e uma janela aberta para lado nenhum.
Escrevo, e escrevo atentamente, ao nada que me rodeia.
Escrevo, e escrevo atentamente, e apercebo-me que isto é a vida.
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