Mantenho-me acordada numa repetição de palavras. Apesar de já ter escrito tudo, sinto que tudo ainda tenho por escrever.
Oh, mas já usei todas as minhas palavras e todas as letras existentes. Já disse tudo o que tinha para dizer e continuo a sentir que nada disse.
Julgo que esteja a enlouquecer. Ou talvez já tenha, de facto, enlouquecido.
Nas ilusões e desilusões fui-me encontrando até a mim me perder. E foi em mim que perdi o resto do juízo. Foi ao encontrar-me, por fim, que perdi toda a minha sanidade.
Sento-me, agora, só, no parapeito da janela e encaro o céu como se minha própria alma encarasse. Contemplo o infinito e pergunto-me como poderei eu achar o rumo correto se não conheço o caminho.
Deixei de errar.
Já não vou errando, nem fazendo escolhas menos certas. Nunca acerto. Não tento já, sequer, acertar no caminho, ação ou pensamento.
Deixo-me estar. Debruço-me sobre o errado e vou com ele, tentando chegar ao fim daquilo que não termina nunca.
Cansa-me os avanços e recuos da vida. Cansa-me já o que ainda não me cansou.
Ah, que inferno!
Deitar-me-ia, neste preciso momento, no peito de minh'alma e não mais me levantaria. Poderia ficar aqui, para sempre, assim, inerte e indiferente a tudo o que me rodeia.
Ah, que a indiferença ao mundo é a mais fácil maneira de ignorar o sentimento que este me provoca.
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