Num dia em que nos recordamos, surge a lembrança de já não existirmos e a certeza do passado que somos.
Não vou chorar mais a saudade nem invocar passados entre-linhas. A vida é contínua e o regresso ao que já passou não faria qualquer sentido. Vou abandonando almas e corações e levando em mim um pedaço de desgraça, boa ou má, que causei. Levo em mim pequenos fragmentos, deixando todos incompletos para que a mim me completem.
Afinal, tudo em mim tenho. Desde amor a desamor, perfeição a caos e uma tempestade maravilhosamente assustadora. Tenho tudo - só não te tenho a ti. Oh, mas que falta me fazes? Se tudo me levaste, à exceção da inspiração, nada de ti preciso.
Em todos os beijos sem sentimento e em todos os toques superficiais lembro-me do que fui e nunca serei, de tudo o que nunca fui e daquilo que um dia serei.
Com certeza sentirei falta, um dia, de um gesto sincero meu (sim, meu, porque pouco me importa a sinceridade vã de outrem).
Um dia talvez (me) entregue, e (me) perca, e (me) viva, e (me) morra. Oh, mas até lá apenas assalto os corpos de passam por mim, numa tentativa ridícula de um qualquer coisa, que não sei bem o quê.
Não procuro ainda uma fascinação a nível da alma, pois não há alguma mais fascinante que minha, tão desfeita e perdida.
Viver-me-ei até que me encontro num momento tão igual a ti e tão diferente de nós.
e quando te amares e fores extremamente feliz
ResponderEliminarencontraras alguem que sera o presente e o futuro
comecei a seguir, se puderes retribuir
beijinho
http://sramliberdadenegra.com/
Entre as partidas e as chegadas
ResponderEliminarAs palavras gastas que dizem sempre o mesmo,
De um sentir inteligível.
Guardo os locais que já sumiram,
Os gestos de quem já desapareceu.
Resta a recordação...
Os vultos cambaleantes que a embriaguez traz.
Os risos trementes, embaciados de tempo,
Surgem no quarto ao fundo...
A vida em linha recta decrescente,
Onde a morte claudicante se vai ouvindo.
Vou-me perdendo de quem sou,
Para existir na própria sombra.
Existindo no bulício que me estruge,
um vazio que me acolhe.
E os anos passaram sem que os visse,
Deixando apenas a lembrança desfocada
do que outrora foi.