Poderia escrever mil e uma páginas acerca da dor que sinto em meu coração, do vazio de minha alma ou de minhas infinitas lágrimas escondidas. Poderia também escrever sobre o profundo sentimento de culpa ou a mágoa que sinto de e em mim. Mas a desolação não o permite. Falta-me a coragem no excesso de tristeza e falta-me o sentido num sentimento tão real.
Passo os dias sentada no chão, encarando qualquer coisa que não exista e segurando um choro tão verdadeiro e, ainda assim, tão ridículo.
Meu coração partiu-se. Minha alma abandonou.
Nunca havia experenciado tal sentimento - algo entre a impotência, tristeza, amor e arrependimento. Acima de tudo, nunca havia descrido tanto a realidade. É isso que me atormenta: a descrença da realidade.
Ignoro tudo o que passa e passou, mas todos os dias vou de encontro à verdade. E todos os dias dói. E todos os dias caio. E todos os dias a agonia é maior.
No entanto, isso mesmo é a vida. Partidas e chegadas constantes. Partidas e chegadas incontroláveis. Partidas e chegadas desoladoras.
Por muitas chegadas angustiantes, por muitas partidas chocantes, nenhuma me partirá mais o coração que esta.
O tempo vai passando, a vida vai mudando, mas tua voz cantará eternamente em mim. E, enquanto a tua voz ecoar, as lágrimas não se irão conter, mas o vazio em mim disfarçar-se-á e, em meu peito, dar-te-ei vida - mesmo que a mim não consiga dar.
Until we meet again
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