quinta-feira, 29 de junho de 2017

Piacere

De cigarro e cerveja na mão interrogo-me acerca de mim.
Sei que por caminhos estreitos e labirentescos caminho, mas não ouso voltar para trás. Sei, também, que acabarei por me perder só nas amarguras de meu ser. Queria culpar-te, mas não seria racional. És apenas tu, verdadeiro. E eu, sendo apenas eu, consciente do erro, quero-te. 
Sempre tendi a errar. 
Gosto de ser sozinha, mesmo sabendo que quero alguém. E gosto de querer alguém, mesmo sabendo que prefiro de ser só. Gosto também de me sentar no balcão preto e frio de minha cozinha, com uma garrafa de tinto ao lado, mesmo sabendo que no dia seguinte me arrependerei de a ter bebido sozinha. Gosto ainda de dizer o que me vai na alma, mesmo sabendo que não o deveria fazer.
É como disse: sempre tendi a errar.
O erro é algo que me seduz. O prazer momentâneo, compensa a duração indefinida de uma ressaca.
És um erro. E eu sei que o és. Conscientemente, caminho em direção a ti. Sei que acabarei por me arrepender e, quem sabe, lamentar. Mas, pelo menos, no fim poderei dizer: foste o maior erro de minha alma, o maior erro de mim. No fim poderei dizer que me respondi em ti e  te odiei em mim. E, finalmente, no fim dir-te-ei o quão agradecida te estou, por teres sido o erro mais errado e imaturo. Mas foda-se, porque, entretanto, vou errando em ti, errando-me a mim.

Sem comentários:

Enviar um comentário