terça-feira, 16 de maio de 2017

L'abbandonò

O esquecimento chega; tu voltas. Meu amor, sabes que te sinto, mas não voltes para me abandonares. Meu amor, sabes que te quero, mas não me (re)lembres tua existência.  
Todo o regresso implica uma dolorosa e inevitável partida. Assim como toda a partida remete para um possível regresso.
Já perdi a conta das vezes que te vi abandonar. Já não sei quantas vezes voltaste. Sei, tão somente, que todas elas, partidas e chegadas, me provocaram a mesma exata sensação. Apenas me é, e cada vez mais, fácil parecer-te indiferente. Escrevo-te menos, choro-te menos, canto-te menos... e as saudades parecem nem existir!
Contudo, em confissões com o papel numa insónia madrugadora, saudade é tudo o que sinto. Talvez seja a saudade reprimida ao longo do tempo que faz meu coração palpitar com mais força, minhas pernas tremerem e meus olhos se encherem de um brilho inexplicável. Talvez não - de certeza. Só pode ser saudade (paixão não é e amor jamais foi!).
Incrível é esta voltar contigo. Na tua ausência vivo a vida de alguém que, sem preocupações, vagueia na felicidade extrema do não sentir.
Fazes-me voltar a mim. E é quando volto que me lembro do quão mais feliz é a felicidade extrema do sentir!
Não te amo, não te quero e raramente te sonho, mas, se tivesse um  desejo só, serias tu. Pediria tão pouquinho quanto teu regresso sem abandono futuro. Mesmo que sem toque, olhar ou presença física, ter-te dá-me inspiração. Oh, e tudo o que preciso neste mundo é exatamente isso: inspiração.
Não és musa de meu agrado, nem sequer algo com que sonhei. No entanto, foste tu quem eu (não) tive, sem poder escolher, à mercê da sorte (ou do azar).
Então fica, pois, ainda que te não veja o corpo, sinto-te a alma e esse sentimento.. Oh, meu amor (shh)..., é impagável!

Sem comentários:

Enviar um comentário