Nunca o sentimento me seduziu, nem nunca a sedução me foi sentida.
Em vão, vou fugindo de tudo isto por ruas e ruelas cheias de pecados e prazeres superficiais. Envolvo-me com o não sentimento, evitando todas as tragédias amorosas.
Por vezes perco-me.
Entre ruas e ruelas perco-me num olhar ou num sorriso; num defeito ou numa qualidade; num corpo ou numa alma; numa pessoa ou o seu ideal. Malditas são essas vezes!, que me perco tão profundamente sem sair do mesmo lugar.
No outro dia perdi-me em ti.
Não sei bem se no teu jeito ou no teu silêncio. Talvez tenha sido no infinito de teus olhos ou no finito toque.
Dispenso as palavras faladas. E dispenso também os sorrisos.
Quero o beijo. Quero o olhar.
Talvez queira demais e demasiado.
Perco-me em ti e perco-me de mim. Ah, mas é preferível perder-me eternamente que me encontrar em paixão.
Pior que a nossa falta de sentimento, só o sentimento a mais. E eu não quero, jamais, sentir-me. E eu não vou, jamais, sentir-te.
(Entretanto vou sentido sofridamente, secretamente, honestamente, até não sentir mais...)
Eu: Anon
ResponderEliminarTu: adorei
Eu: gostava de me perder como tu te perdes