Na não declaração da vida sou me à tua semelhança e vejo-te à minha imagem.
Tolice a minha (não) ser tola por ti (ou tolice a nossa [não] sermos tolos um pelo outro).
Talvez assim nos poupemos ao horror do sentimento.
Vamos sendo sem ser e estando sem estar.
Ignoro o coração acelerado e os sorrisos disparatados. Fecho os olhos aos olhares de significado oculto (significarão alguma coisa sequer?)
Na incógnita afasto os primeiros sintomas de paixão e no consciente rejeito a possibilidade de amor.
Na noite só te sou, só te quero e só a ti te vivo. Mas isso são devaneios loucos tão típicos da minha alma.
Por vezes perco-me. Já não sei o que é ou não real, verdade. Já não sei o que é ou se quero, verdadeiramente, alguma coisa.
Entretanto os prazeres de um café, um cigarro, uma garrafa, uma noite silenciosa repleta de respirações em encontros ocasionais, vão preenchendo o qualquer coisa que somos (ou não somos).
Não me incomoda o não compromisso - aliás, fascina-me.
Incomoda-me o não saber se sinto ou não sentes. Incomoda-me o olhar que diz tudo e não diz nada. E incomoda-me a alma que me é tão familiar, mas que tão desconhecido me é.
Talvez um dia saberei, saberemos, o que somos ou seremos - ou talvez nunca saibamos.
(Talvez, talvez seja a palavra da minha vida)
Até lá, vivamos desta maneira, tão bonita e angustiante, e o que for para ser será.
- Ou não.
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