terça-feira, 10 de maio de 2016

υστερία

O silêncio ensurdecedor da multidão agitada, endoidece-me. 
O som dos passos silenciosos e das vozes caladas num sopro de nada, enlouquece-me.
E corro; E fujo: E calo; E grito.
Defronte do espelho que outrora me acolheu morro, só.
Ah, e então fujo e corro, e grito e calo, numa tentativa desesperada de (te) ouvir e ficar.
Um dia encontrar-me-ei, na calmitude de meu passo acelerado. Um dia encontrar-te-ei, no belo som que ainda não ouço.
Oh, amore mio, il suono della tua voce...
Todas as palavras vazias, tão cheias de sentimento... E a tua voz, tão cheia de nada que me apaixona...!
A correria infernal do quotidiano que me rodeia, ignora meu triste pensamento.
De que serve existir se não viver? De que serve viver se não existir?
Ah, perguntas infinitas, textos desconexos e amores ao vento.
Procuro compreensão, mas nem eu me compreendo. Meu coração um mistério me é, minh'alma nem sequer é minha, o sorriso aparece com o sol e meu corpo... esse apenas se move quando lhe convém.
Sou um nada que existe e não vive mais. Sou, tão somente, uma existência na vida de minha essência. Ah, que sou, sou... sou nada e tudo sou!
Minha loucura é o que me resta, mas já nem essa controlo.
Tudo carece de sentido, até a vida que não vivo!
Tudo carece de vida, até a vida que vejo viver!
Mas pior!, tudo carece de amor - até meu amor por ti.

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