terça-feira, 3 de maio de 2016

Angoscia

Ai, as saudades agonizantes, o amor torturante e a persistência de tudo o que não existiu.
Que repetição minha vida é!, entre palavras sinónimas e sentimentos antónimos, ainda assim tão iguais.
Não fiz mais que correr mundos e fundos, almas e corações!, abandonar paixões, destroçar destroços, (re)viver (des)ilusões!
Poderia ser feliz, na felicidade de outrem, num carinho alheio, num beijo apaixonado. Oh, poderia... se pudesse!
Uma desgraça avassaladora vive dentro de mim. Ah, sim, vive-me, respira-me, é me. Não posso mais tolerá-la nesta falta de amor absurda.
Que ridículo!, necessitar de um coração que não o meu para me, completa, ser. Ridículo, necessitar de uma alma que não a minha para viver, enfim, só e feliz.

Se pudesses sentir o que sinto, sentir-me como te sinto... Ah, meu Amor, se ao menos soubesses que só a ti te escrevo... Mas não sabes, porque não és, não estás, não existes.
Teu corpo vagueia longe de meu; meu coração bate a anos luz do teu; e nossas almas, tão feias, pecadoras, oh!, se vivem, independentes, tão insensivelmente em busca de amor.

Talvez um dia te ame verdadeiramente, quando a mim também me amar.

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