Se meus olhos pudesses ver, meu amor verias também. E, se meu silêncio ouvisses, todas minhas palavras entenderias. Oh, e se meu sorriso pudesses, sequer, imaginar, saberias, enfim, que toda minha essência reside em ti.
Vou-me declarando, entre linhas, entre dentes, meias palavras. Declaro-me a mim, na esperança de a ti chegar.
Na alma navega meu sentimento, à deriva, à mercê do vento, da cor, do sabor, da música. Ai, que navega me busca de uma zona costeira onde atracar. Minha alma, perdida também, acompanha o sentimento, em busca de teu peito.
Palavras apaixonadas, cravadas em vão, por um ser que não ama mais. Não, não amo, não apaixono.
Vivo, sem rumo. Fico, em ti. E procuro-me, em mim.
Falta a voz, a eloquência. A força falta e a repetição domina.
Ah!, lê-me, lê-me. Lê-me, por favor. Jamais pensei em o dizer, mas, meu amor, que se me leres tudo se tornará mais simples.
Perdoa-me - a não-coragem, a não-confiança e todo meu coração!
Perdoa-me - perdoa-me por em ti ter encontrado refúgio, luz, caminho. Oh, quão agradecida te estou.
Temo, enfim, perder-me de vez, numa voz, numa melodia, num batimento.
Não, não me deixes. Eu sei, sei que te não sou e tu, oh, nunca me serás.
Um dia dir-te-ei tudo o que me foste, sem nunca seres; o que te fui, sem nunca ser; o que te amei sem nunca amar.
Hoje, falo-te, serena, para que meu sorriso não vejas, meus olhos não leias e meu silêncio não entendas.
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