Oh, se esta vida fosse só! Fosse esta a única vida e eu feliz seria. Feliz no tormento presente, no doloroso pensamento do agora e na ilusão do hoje. Mas ah, que esta vida não é a única e outra por vir estará.
Um sonho de um momento passado que, para amanhã, se torna no tormento de um futuro longínquo.
Ah, que se não voltasse a viver, ainda hoje me matava.
Que horror! - a possibilidade de renascer, não largar esta suja alma e duplamente infeliz ser.
Deixo-me, então, no agora do momento cheio de desamores, dúvidas e contradições. Ai, que me deixo aqui, para a mais lugar ou corpo algum voltar.
Pior que a dor de pensar, só a dor de viver!
Viver nesta (in)felicidade cheia de lacunas, desconcerto, desatino. Viver, viver!, cheia de pecados no corpo marcados a erro na alma.
Não, não. Não quero mais vida nenhuma. Não, não!, contentar-me-ei com minha tristeza, meu defeito físico e alma anómala. Contentar-me-ei, sempre, perante este descontentamento que sou.
Oh, se alguém me ouvir, que não me deixe morrer, se tiver de voltar a nascer.
Oh. se alguém me ouvir, que me auxilie por favor! Que me deixe descontente com toda a felicidade excessiva de seu amor.
Ah sim, venham, venham. Venham e salvem-me da desgraça em que me tornei. Venham, venham... Salvem-me de mim!
Pudera eu escrever mais palavras tristes, cheias de influências deste horroroso mundo que me rodeia. Pudera eu escrever, falar, salvar-me só!
Ah... Meu Amor...
Ah, ah, meu Amor...
Nada mais ouso escrever. Nada mais ouso pensar.
Espero, só e apenas, que estas lindas nunca leias e minhas fragilidades nunca vejas. Oh, se minha fraqueza vires, tua imagem se distorcerá e eu... eu morrerei...
Ah, meu Amor...
Ah, ah, meu Amor...
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