Prefiro passar o tempo, a que o tempo me passe a mim.
Se me dissesse, enganosamente, que o tempo corre, mas não passe, seria uma felizarda infeliz, insana, louca, sem noção ou sentido, na ampulheta da vida.
Assim, consciente das horas, do nascer ou pôr de Luz, sou uma infeliz contente e satisfeita (ou pelo menos o acho...!).
Ah, que pudera ser mais e maior se não fosse eu... ou se minha fosse! Assim, paciência. Aturo o tic-tac do relógio da anima, o som das areias que caem no fundo da vida e o qualquer cousa que me atormenta a existência e me impede de nela existir.
Cansa-me a vida, o pensamento dela e sua correria eterna que a impede de passar.
Ai, ai... o tempo e sua figura abstrata.
Ai... que me custa olhar para o ponteiro mais pequeno, aquele que indica a dolorosa sentença da rotina.
Repito-me, tão repetidamente, que me enjoa o impossível de enjoar.
Tenho a sensação de que escrevo a mesma palavra, vírgula após vírgula, ponto após ponto, vida após vida, alma após alma.
Nunca sucedi neste mundo que passa entre as linhas e que tão belo e rico é. Ah, que se tivesse sucesso... Oh, se o tivesse apenas...
Não tenho como terminar a frase, não tenho o dom (ou a tolerância...). Ah, nada tenho a não ser uma pressa interminável de chegar a lado nenhum e àquele que não me espera mais.
Um dia, talvez, vos diga tudo o que me passa na alma onde nada passa. Talvez, um dia, nada vos diga e tudo me ouçam.
Até lá, passo o tempo, para que ele não me passe a mim...
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