Escrevo, de pena na mão, como todos os grandes escreveram e espero, também eu, um dia ser grande.
Oh, que para o ser só me fala o dom da palavra, tão bem desenhada no papel.
A pena já minha é. Os desamores... esses são toda a minha vida. A rejeição que une os grandes, também em mim mora. A falta de vontade de amar o mundo, descreve meu ser. E o som do bico fino que suja o papel com mentiras é a banda sonora do meu quotidiano.
Resta-me a esperança, só e egoísta em mim.
Resta-me acreditar que só meu é o Sol e somente minha a lua é. Sobra-me a crença de que as estrelas sorriem, amam, vivem e, no entanto, nada são. Ah, essa crença é vida em mim! Porque se as estrelas forem nada, mas cheias de amor e felizes, então, serei eu pó de estrela. Acreditar que, depois de minha morte, me continuarão a ver, ouvir, sentir, desejar.
Oh, se me desejassem como as estrelas desejo... Mas nunca serei como elas. Não serei infinito, não brilharei de igual forma e jamais tão amada serei. Enfim, nunca serei grande.
Não é, no entanto, a pequenez de meu ser que me atormenta, mas o impossível desejo de minh'alma de ser a maior, mais alta e brilhante. Minh'alma, que anseia toda a grandeza de quem um dia também escreveu, ousa possuir amor de outrem.
Oh, que belo seria ser Poetisa do Mundo e todo o teu amor ter. Oh, que bela impossibilidade.
Todo o amor inibiria meu esforço de alcançar o dom mais cobiçado, o dom dos Grandes e Gigantes.
Para te amar e ser amada, de minha vida, minha essência teria de desistir. E, aí, seria a mais infortunada entra as linhas meias escritas e frases inacabadas.
Seria aquela que a vida matou para poder amar e a que amou para à alma agradar.
Serias, em mim, a morte numa vida eterna, a condenação ao fracasso, a mais bonita no livro que não escrevi (nem escreverei).
Amando-te, serás em mim desgraça, deserção, fraqueza, desamor.
Amando-te, não mais te amarei e todo o rasto estrelar que há em mim, perderá seu encanto, na tentativa inútil de te amar eternamente, no infinito.
A-D-O-R-O!
ResponderEliminarObrigada!!!!
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