sábado, 13 de fevereiro de 2016

Niente

Sou nada, mas não é isso alguma coisa?
Que é o nada? Sou eu, com certeza. Mas quem sou eu? Um nada, deveras.
Esta redundância asfixia-me a realidade.
Pudera eu ser um nada no sentimento... Oh, se pudera... Mas não. Apesar do nada de meu ser, a emoção é o tudo que nunca quis.
Palavras vazias tão cheias de amor.
Emoções cheias de um vácuo impreenchível.
Mata-me a falta de algo e o excesso de tudo.
Minh'alma perde-se no deserto e não volta mais a minha ser. Meu corpo, esse jamais me abandonará, mas deixa meu peito partir.
Tanto desejei que meu coração voasse e, agora, sem ele, perco-me infinitamente.
Desejo amar-te, mas um nada na substância não pode amar um tudo no todo.
Ah, que contradição sou!
Contradições que me deixam num desatino sem fim, no pânico iminente, à beira da loucura.
Sim, loucura. Sou louca por tudo o que nunca foi e sou louca em mim.
Pudera eu explicar-me como tantos se explicam, escrever como tantos escrevem, ser como tantos são. Ah, pudera... Se tivesse tempo, sim, pudera. Mas, mais uma vez, tempo é tudo o que não possuo.
Sou, então, à pressa e vivo, sem dúvida, apressada ao ritmo lento do amor.
Oh, que se tempo tivesse, bela valsa dançaria (contigo) como se o mundo fossemos nós e nós o mundo.
Oh, valsas lentas, amores amados e tempo perdido.
Ah, se eu pudesse perder tempo... Tão bom tempo perdido seria.

Sem comentários:

Enviar um comentário