Se ao menos te pudesse escrever... Oh, mas até as palavras me levaste.
Que as palavras fosse tudo o que de mim tiraste e não tão desgraçada seria. Mas minha alma, a levaste também.
Com toda a inspiração, falta-me a fluidez, espontaneidade, o traço e o desenho.
Com todo o amor, falta-me a alma para (te) sentir.
Oh, que da vida continuaria a reclamar, não fosse isso em vão. De que serve minha insatisfação, meu desconcerto? Ah, de nada, pois tu foste e não mais voltarás. Não voltarás e não mais me terei.
Um caos interior, a decadência (física e mental), a falta de sono e o sono invadido por ti.
Um desatino constante - minha vida deste tua partida.
Ah, que minhas palavras feias e desconexas podem parecer loucas, mas só revelam o que em mim (ainda) há.
Talvez seja a falta de substância que é minha; Talvez seja a insanidade do que me resta; Talvez sejas tu.
O não saber, o não sentir (ou não saber sentir...!), o não ser. Tudo isto e, quem sabe, algo mais, deixam em mim um rasto de loucura.
Ah, se pudesse não mais te (re)lembrar!, com certeza seria um corpo muito mais feliz, muito menos caótico.
Se um dia me leres: vem, por favor. Volta-me, regressa-me, devolve-te-me.
Se um dia me leres: prometo, não mais te amarei, não mais te sonharei, mas oh, volta, por favor.
A falta que minh'alma me faz...
A falta que minhas palavras me fazem...
Ah, a falta que me faço... A mim e mais ninguém...!
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