quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Eternità

Não sou a eternidade, nem na memória. Serei sempre esquecimento e, até esse, um dia será esquecido.
Tudo passa, tudo voa, nada é. Vivendo no presente, não esquecendo o passado e nunca recordando o futuro.
Poderia ser perfeito, parece-me o ideal - mas não é. O sentimento de perda que acompanha, o não ter lembrança, o não saber passado e o não pensado futuro. Não assimilo tal ideia e angustia-me a falta de sentido.
Um aperto no peito acompanha a felicidade presente. Chora-me a alma, mais que o corpo, no penoso pensamento da vida.
Busco um propósito atual, sem pensar no depois, e o não encontro. Desconcerto, busca insaciável e, por fim, o desespero. Desespero na monotonia da procura do que não existe. Desvairo na rotina quotidiana tão cheia de nadas insignificantes.
O que me resta para além de meu ser? Temo que nada (nem ninguém).
Poderia satisfazer-me com minha posse. Quão bom possuir-me, depender apenas de mim e nada mais importar. Mas, ah, que falta me faz, não o corpo, mas a alma de um alguém que não está. Um dia, talvez, aparecerá, mas o futuro nada significa. Tão breve experiência vivo, sem certeza que o amanhã chegará. Oh, e que se o amanhã não vier, morrerei incompleta na complexidade que sou.
Talvez ame hoje. Talvez viva agora. E, quem sabe, te tenha no momento.
Não nego o prazer. Não rejeito o sentimento.
Só quero a plenitude do ser. Contigo, com este, com aquele... Que importa? Somente desejo a mais puramente suja alma para completar tão inocente essência minha.
Então, amarei, hoje. E, hoje ainda, lutarei - não por mim (afinal já me tenho), mas por ti.

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