Talvez sejam as dúvidas existenciais do sentimento. Talvez sejam os sentimentos existenciais da dúvida. Talvez seja tudo, provavelmente é nada.
Vivo no não arrependimento, sem com o passado me confortar. Sinto a falta de quem nunca falta me fez e tenho saudades daquilo que nunca foi embora.
Minha independência tornou-me sua dependente. O não-compromisso comprometeu-me. Que desgraça!
De tudo o que tenho, de tudo o que sou, só a independência me é(ra) querida. Ah, tão bom não depender de perfume algum, abraço estranho, peito de outrem. E, nessa não dependência prendo-me. Presa a mim, a meu amor, a minha alma, sofro-me. Oh, que ironia este des(a)tino.
Sou-me para não sofrer e sofro por me ser.
Não sinto para me não perder e perco-me por não sentir.
E vivo, só, desamada para livre ser e nessa liberdade foge-me o viver.
Ai!, quão maravilhoso seria se um alguém me encontrar ousasse.
Ai, ai!, meu Amor, ama-me e deixa-me ser livre de nós.
Ah!, meu Querido, encontra-me como se nunca me tivesses perdido e deixa-me voltar a ser!
Não sei já que mais escrever. A folha em branco consome o que de mim resta e não me deixa prosseguir.
Não tenho palavras, não tenho sentimento, não tenho tino - aliás, já nem sequer me tenho.
Se salvação houver que chegue antes de meu coração partir. Oh, sim, que o pobre desgraçado não aguentará nas ruas amadas da solidão.
Se salvação houver que chegue antes do abandono de minha alma. Ah, que se essa me deixar, deixarei meu corpo também.
Salvezza, tu, Salvezza, vem e salva-me de mim.
Sem comentários:
Enviar um comentário