No mundo não fiz mais que divagar. Divagar acerca das questões da substância do ser, da inconformidade humana e da infelicidade estupidificada pelo Homem. Em tempos, toda esta agitação sem razão ou sentido me desconcertava, agora, apenas me irrita.
Ah, quanto me irrita a inquietude da rotina monótona alheia a mim. Que irritação, que repúdio, que horror.
Se algo pudesse desejar, certamente, seria a conformidade desses pobres corpos que por aí vagueiam sem uma alma para os atormentar.
Sim, que se se conformassem eu seria, de certo, mais feliz. Mas não posso. Não posso, pois esses infelizes teimam em massacrar-me a existência com suas lamurias, lamentações.
Divago, sempre, irritada para com o mundo, irritada para com o ser. Divago, danada, com a vida alheia.
Meus caros, que a vida é miserável, todos sabemos! Meus caros, que somos uns escravos do destino, todos sabemos!
Mas, oh, que se dane a escravidão, a pobreza e a dor de existir.
Existamos, apenas, alheios ao caos e desconcerto. Existamos, apenas!
E, aos que existir não ousam, oh, desemerdem-se e deixem-me sem, só, divagando em meus pensamentos.
Desemerdem-se-se e deixem-me, enfim, na merda que a vida é.
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