quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Poetas de Ninguém

Versos bonitos te poderia escrever como quem anda, feliz, pelas ruas descontentes da vida. Bonitos versos te poderia dizer, fosse eu a Poetisa de quem todos falam, todos invejam, todos lêem. Amar te poderia, não fosse eu a desgraça desenhada pelo destino.
Poeta não sou, nem nunca serei. Minhas palavras desconexas não possuem a melodia, a paixão ou a dor (não fossem estas sinónimos). Rabisco(-te) no papel sem sentido, como tudo o que já conheci e, certamente, conhecerei.
Escrevo-te, sempre, mas não bonitos versos, não palavras maravilhosas e, tã' pouco, sentimento. Escrevo-te por escrever, pois em mim palavras são ventos que se perdem no tempo.
Sentido de vida, de caminho é o que em ti busco. Um propósito, um destino por traçar - necessito
Serei, um dia, quem sabe, poeta de teus braços, escultora de tua alma, razão de nosso amor. Mas quem sabe!, quem sabe...? Talvez o serei, talvez o não serei. Só o tempo, meu Amor, o me (ou nos) dirá.
Sonho-te na vida, esqueço-te no sono. Sinto-te falta quando meus olhos fecham e minha mente descansa. E que prazerosa essa saudade me é! Saudade do que nunca tive, nunca terei. Saudade de teu olhar, teu beijo, teu suspiro; saudade, tanta saudade, de teu corpo e tua alma! Saudade de ter saudade deste sentimento que nunca atenuará e, em breve, imortalizado será em minhas folhas sujas, velhas e amarrotadas.
Poeta de Saudade, como outro outrora foi, serei. Uma desgraçada, só, desamada e genial, como a Poetisa foi, serei. Um infortúnio para nós, uma bênção para mim.
Meu Amor, perdoa-me. Minha boca jamais te poderá contar segredos da alma e meus livros, os nunca escritos, em momento algum lerás.
Tua serei, sempre, ainda que versos de amor não faça. Amar-te-ei na eternidade, mesmo que nunca to escreva. E, oh, meu Amor, serás sempre minha vida, meu des(a)tino, toda minh'alma, até ao dia em que não mais me verás.
Serei, amarei, me serás e nem as palavras me separarão de ti, de nós.

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