«Sentir? Sinta quem lê!»
Muitas maçadas tenho na vida, falta-me tempo para o sentir.
Vou escrevendo, dizendo inverdades, sentido o insensível e enganando-me-te com a verdade.
O mundo sensível, que se dane! O mundo insensível, ah, esse o possuo.
Não me agrada o real amoroso, doloroso, fingido. Vivo-me na sinceridade fria de um coração vazio e sou-me na alma cheia e repleta de por sentires.
Pouco digo, muito escrevo. Vou desenhando as mesmas palavras, repetidamente, desconexamente, desamadamente e, por vezes, metaforicamente. Tanta repetição, tã' pouca emoção.
O amor que te não tenho (ainda), conto ao papel. A desgraça de teu abandono futuro, confesso à caneta. E os segredos que um dia terei, já todos leram.
Leram-me-te, citaram-me-te e sentiram o que jamais sentirei.
Sentir é monotonia, aborrecimento - um bocejo.
Sentir o não sentido, tão irracional me parece e tão agradável nos é.
Oh, o som das emoções reprimidas, o batimento do coração brevemente apaixonado e a pressão de teu olhar sobre o meu.
O mundo que me quer fazer amar!, os corações que me amar desejam! Oh, não, não quero, não ouso.
Refundida no não sentimento protejo-me de abandonos inexplicáveis, desconcertantes, arrasadores.
Abandono-me-te todos os dias, desamo-me-te a todo o momento e faço por não me te esquecer.
Sentir? Não é para mim.
Sentir? Oh, que se dane o sentimento.
«Sentir? Sinta quem lê!»
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