sábado, 26 de dezembro de 2015

Divagando

Eu não sei e tu lá sabes.
Sentada no parapeito de minha janela divago.
Que manhã de nevoeiro terrível! Do alto sexto andar é-me impossível ver o chão. Sinto, por baixo de meus pés que balançam do lado de fora, um infinito interminável, tão frio e desesperante.
Relembro os tempos em que nada me importava e era livre!, de escrever, de sentir, de ser.
Hoje sou envolvida pela neblina. 
Invisível, cheia de nada e louca vou sendo.
Vejo-te, com dificuldade, ao longe, sorrindo para o mundo que te sorri.
Que disparate é esta paixão por um sorriso longínquo e olhar tímido.
Vou escrevendo, só, para ti, suplicando aos céus que me protejam de tua alma e que não te deixem, jamais, ler minhas palavras.
Desastroso! Minh'alma perder-se-ia num desconcerto sem igual se lesses suas palavras.
A cada traço, cada virgula, cada ponto, declaro-me - não a ti, mas a mim.
Declaro-me o sentimento que se acumula no peito, dá insónias e tira o apetite. Declaro-te a mim para esquecer que não te terei em ocasião alguma.
Poderia lamentar, mostrar minha insatisfação, mas, ah, que dádiva é não te poder ter.
És tudo o que necessito, mas não quero ter por perto. Tens toda a alma que apaixona, mas possuís o mais destruidor coração.
Não, não te quero! Jamais te quererei. Vou amando tuas feições, contemplando tua alma e afastando-te com palavras proferidas pela razão.
Minha amada razão!, que cala o sentimento e me protege de teu (não) amor.
Falar-te-ei sempre com a consciência e, confessar-te-ei meu coração no papel. Papel esse que escondo de ti, pois, no dia em que o achares, perder-me-ei e não te terei mais.
Continuo a divagar no meio dos devaneios desta gélida manhã, enquanto meu corpo grita por teu calor, teu peito, teu amor.

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