domingo, 20 de dezembro de 2015

Desmemória

És todo o meu desamor. Estás em todas as minhas desmemórias. És-me nada e és tudo.
Lembro-te sempre e só te consigo esquecer.
Tenho-te mais presente do que alguma vez realmente tive.
Brilhas-me como o sol de Agosto e revoltas-me como as mais belas e brutas ondas invernais.
Quanto amor cabe em mim! Quanto amor te queria dar! E gritar!, gritar às estrelas e dizer-lhes que só meu és. Mas mentiria, pois de todo o mundo és e a todos pertences, menos a mim.
Que tristeza, que amargura, que ciúme!, que tentação...
Nas memórias do que nunca existiu sou feliz. Nas desmemórias do ser escrevo-te de alma, de coração.
Um sorriso, uma palavra, uma respiração, um batimento. O teu sorriso, a tua palavra, a tua respiração, o teu batimento.
Oh, se pudesses sentir meu coração, sua aceleração e todo o seu amor tão desamoroso.
Repito-me, repetidamente, na vã esperança de te tornar real em mim.
Não controlo o desejo, a sede insaciável, a vontade insana e nada saudável de te ter em meu peito.
Peço às estrelas, todos os dias, teu amor.
Ama-me!, vive-me!, deseja-me! Oh, que se o não fizeres minha alma morrerá, só, desamada, num sufoco interminável, numa agonia devastadora.
Não estás, mas não me deixes. Não me és, mas não me deixes de ser. E, com certeza que não me amas, mas, por favor, não me desames.
Enfim, não me sejas uma memória e não abandones minhas desmemórias.
Lembra-me, sempre, como se tua fosse. Pois ainda que não me tenhas o corpo, a alma já é tua e o coração jamais será meu.

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