terça-feira, 24 de novembro de 2015

XXVII

Busco o inalcançável, o sentimento inexistente, a confusão clara dos pensamentos alheios.
Busco-te incansavelmente. Desisto(-te) perdidamente.
Perco-me nas letras, na pontuação, no calor do frio sol de novembro. Perco-me em tudo o que sinto e deixei por sentir.
Nunca senti, mas o sentimento descontrola-se. Nunca te quis e não paro de te desejar.
Sou caos, desconcerto, revolta e destroços tão pouco ou nada destroçados.
E, no meio da confusão organizada do ser, perco-te. Perco-te como se algum dia tivesses sido meu. Perco-te e não consigo parar de te encontrar.
Mas não me leves a mal. Toda eu sou bruscas palavras cruas, vazias, desordenadas e sem sentido.
Não me leias e não me leves a mal.
Encontro-me, desnorteada, nos cheiros, sons e sensações. Sem norte, ou sul, ou qualquer outra direção sinto-me.
Então, não me olhes, não me ouças, não me sejas.
Sê, como sempre foste, tão revolto e cheio de ti, porque é assim que (não) te quero.
Sê, para sempre, nunca meu, mas sempre teu.
E eu serei, eternamente, do livro tão cheio de desamores que nunca ninguém ousou ler.

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