Vivo nos entretantos, entrenuncas, espaços de tempo inexistentes cheios de falhas divinas.
Desejo o tempo, o (não-)amor, a luz, a tardia partida e a antecipada chegada.
Na serenidade do passo acelerado, milhares de sonhos atravessam a mente e compõem a essência do ser.
Chamam-lhe loucura - talvez seja.
Chamam-me louca - com certeza sou.
A loucura de correr, a insanidade de (te) querer amar e possuir.
Fartei-me de poesias, amores, corações e sofrimentos.
Que se dane o sentimento, a emoção, a moral e a ética.
Sigo no embalo das palavras secas e da pontuação apressada.
Não sinto o que escrevo, não sinto o que digo e muito menos o que ouço.
Quero-te de todas as formas. Desejo-te de todas as maneiras.
E, se esta vontade delirante não for bem vista e bonita, que se dane isso também!
Não quero a beleza, o perfume, a fotografia ou qualquer tipo de memória.
Quero apenas o sol que ilumina os nossos feios traços e que realça todas as nossas imperfeições para que nos possamos desejar sem que o corpo nos tente.
Deseja-me o ser.
Ouçamos as milhares de vozes que gritam e completam nossa belas e perfeitas almas.
Que todas nossas ganas se reflitam na alma e nunca no corpo.
Não te quero belo, quero-te puro. E, a pureza, apenas é beleza na substância não carnal do ser.
Então, sem nada sentir, quero-te. E sem nada querer, desejo-te.
Enfim, no meio de desejos vazios de emoção, possuo-te, sem nada possuir.
E, no meio das contradições e confusões tão pouco sentimentais, concluo: jamais te amarei.
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