quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Infortúnio

Na motivação desmotivada dos azares do quotidiano vou sonhando. Sonho para ser grande, desamada e livre.
Por vezes desencontro-me do real no amparo do teu perfume, teus braços, tua alma. E quão feliz sou nesse lapso de tempo, no intervalo da razão, no abraço da alma.
Sonho!, sonho para te ter e vivo para não me perder. Mas, oh, tão bom era me perder - perder de ti, perder em ti.
Sou todos os desejos de outrem, sou toda a desgraça alheia, sou todo o mundo e não sou sequer ninguém.
"Então, não sei.". Não sei o que sou, o que quero, o que possuo. Sei, tão somente, o que não sou, o que não quero, o que não possuo. E essa falta de sentimento de (não-)pertença, (não-) posse, (não-)amor arrasa-me a irracionalidade.
Não sei se te quero perto, mas com certeza que não te quero longe; não sei se me és tudo ou se apenas me tens o todo; não sei sentir, mas sei como amar; não sei já o que sou, mas sei o que nunca serei.
E, neste desconcerto duvidoso, vou vivendo, sonhando e, talvez, vá sendo.
A dúvida corrói e o tempo corre. Corre como nunca correu - parado.
Se tudo o que tenho são sonhos e tudo o que sonho é tua alma, então, tenho-te?
Quão bom é sonhar-te... Oh, e quão melhor seria ter-te! Mas não tenho, jamais terei..
Contento-me, infortunadamente, com o abraço nunca dado, com a palavra nunca dita, com o beijo nunca beijado e com o sol que em momento algum nos iluminará.
Contento-me, enfim, com o belo sonho onde me pertences, sem eu nunca te pertencer.

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