Nada sei que não amar-te. Não fiz que não desejar-te.
Na ausência física, quero-te o ideal - o ideal da alma, do ser.
Vivo na vaidade de te (querer) ter e no orgulho e de (querer) ver.
Morro na saudade de possuir o que nunca possuí e no desejo de voltar a ter o que nunca tive.
Assim, irracionalmente, matas-me com a vontade de viver. Sem razão, és-me tudo. E, anormalmente, és o sonho de todos os meus sonhos.
Todos os dias rezei por um alguém, mesmo sem em nada acreditar. E, todos os dias, te contemplo à distância. Presumo que sejas a resposta a todas a preces que não fiz.
Uma perfeição imperfeita que me deixa fantasticamente indisposta.
O sol que quero, a lua que amo e as estrelas que possuo gritam teu nome. Eu, por fim, grito por ti.
Num gesto envergonhado, numa palavra bruta, num olhar ternurento - peço-te.
Perdida e louca com sintomas de princípio de amor - não sei se estou, sou ou sinto.
A inexistência que és é desejada pela invisibilidade que sou.
Não me sabes, mas eu sei-te.
Não me olhas, mas conheço teu olhar como nada jamais conheci.
E teu toque, aquele que nunca senti, é o mais delicado que há.
Cheio de ausência de amor, ou vazio de uma alma amorosa, é tudo o que és (ou mostras ser).
Cheia de ausência de amor, ou vazia de uma alma amorosa, é tudo o que sou (ou penso ser).
Ainda assim, me apaixono, todos os dias, pelo teu perfume - aquele que nunca senti.
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