sexta-feira, 6 de novembro de 2015

XXVI

Sinto a tua falta.
Sinto-te em falta.
Desejo o regresso ao passado onde mil e uma vezes trocámos juras e promessas de não-amor.
Prometi não ficar. Prometeste deixar-me. Ambos prometemos não sentir.
Mas o coração grita, implora por teu amor, sufoca na busca de teu sorriso e aperta na ausência de teu perfume.
Jurei não te amar - não consegui.
Julguei-te esquecido no livro de memórias insignificantes guardado num recanto da mente.
Esqueci-te sem nunca parar de recordar.

No dia em que o sol brilha só para mim e o mundo ameaça tocar na perfeição, uma brisa sopra e traz-te até mim.
A infinita distância que nos separa, não só física como psicologicamente, desaparece e, por momentos, volto a ter-te em mim.
Que saudades! Que saudades já tinha desse teu perfume natural, desse teu sorriso quase mais brilhante que os teus olhos.
Sempre foi a minha fraqueza - o teu olhar. Tão sincero, inocente, cheio de mistério e rebelião. Oh, quanto eles brilhavam; Oh, quanto eu me apaixonava.
Lembrei-me de te lembrar.
Que saudades! Quer saudades tinha de sentir!
Vivi a ilusão perfeita, numa busca cega de esquecer a realidade inigualavelmente feliz que contigo partilhei.
Depois de te julgar perdido nas areias do tempo, o peito aperta ao ouvir teu nome e meus olhos enchem-se de saudade.
Por vezes, desejo o teu regresso. Por vezes, agradeço a tua partida.
E este esquecimento que és e que eu não ouso parar de lembrar, consome meu mundo, minha vida, minha alma.
E a memória que és, assalta-me o coração e leva o sentimento.

Sou tua - continuo a sê-lo.
Não sou minha - jamais o serei.

O teu egoísmo, mesmo a abismos de distância, continua a prevalecer em mim.

Só tua serei, enquanto meu nunca fores.

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