Tempos passados num banco de jardim na solidão do movimento quotidiano.
S(into)ento-me só, como a rotina manda, e interrogo-me acerca da companhia entediante a que o mundo se submete.
Conversas paralelas, desalinhadas e sem propósito. Barulho insano de corpos cheios de alma vazia. Prefiro o sol, o vento e nossas conversas. Diálogos silenciosos cheios de calma e paz.
Tudo o que sou, tudo o que fui, não passa de um acumular de raios de sol cheios de energia e um turbilhão de ventos repletos de memórias e sensações.
Desejo, por vezes, ter em mim apenas as calmas brisas e um pouco de lua. Este deserto ventoso que dentro de mim vive cansa-me o ser. Deixar, por momentos, a energia que em mim não se liberta e gritar ao vento o furacão de minha alma.
Mas, se toda a minha essência são essas tempestades cheias de sol, que seria de mim se as deixasse ir? Nada, creio. Nada, contudo, é o que sou - um nada repleto de vida e emoção, memórias e esquecimentos de vozes, (sor)risos e lágrimas.
Prefiro, então, ser uma alma com um nada repleto de tudo, que ser um tudo vazio ausente de alma.
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