quarta-feira, 28 de outubro de 2015

XXV

De memórias e poeira sou. 
Vivo de lembranças futuras e desejos passados.
Tudo é vida, mesmo quando não é.
São os pequenos instantes e as frases curtas que me fazem querer, acreditar.
Creio que tudo vivi, nada tendo vivido; e que tudo ganhei, sem nada possuir.
O silêncio desiludido seguido por um grito de amor e revolta. A poeira que teima em não assentar. Tudo me faz ser, tudo me preenche.
Sorrio, então, no meio das lágrimas e choro entre as gargalhadas.
Viver um tudo, perder o nada (porque nada foi o ganho) e gravar na memória toda a felicidade - até a presente no mais infeliz pensamento.

Sonhos de vida - não quero.
Sonhos de instantes presentes - possuo.
Sonhos de te querer - temo.

O perfume que nos faz viajar no tempo, a música que nos faz acreditar, a voz que nos levanta, a poeira que nos abraça.
Escrevo, nesta folha, como escrevo na vida - sem guião ou planificação, à mercê dos ventos, das emoções, do tempo.
E como tudo o que disse foi nada; e como tudo o que disse carece de sentido, deixo-te, aqui, a mais desconexa promessa: juntos, veremos toda a beleza imensa do ser.

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