segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Rosa

O sol brilha e o calor aperta lá fora. É apenas mais um dia de verão.
Em mim, o inverno voltou. Consigo ouvir a chuva cair e o vento soprar. Sinto o frio e aquela nostalgia dos domingos de Dezembro. 
Que loucura!, ainda agora é Setembro.
O coração aperta, bate num sufoco e chora por quem sorri e sente o sol que brilha fora de mim.
Da minha desgraça culpo as paixões finitas que nunca morrem e os amores eternos que rapidamente murcham, como uma flor abandonada no parapeito de uma janela entreaberta.
Tenho saudades de tudo o que abdiquei, mas não me arrependo. Se voltasse no tempo, nada mudaria. Prefiro murchar num parapeito ao som de um melódico vinil, que viver na ignorância do teu toque.
Dei-me. Entreguei-me. Nada mais poderia fazer.
Todos os dias reguei a bela rosa vermelha. Suportei todos os espinhos e nunca deixei de sorrir. Quis manter para sempre a sua cor viva. Quanto adorava aquele encarnado vibrante, tão representativo de uma paixão acesa e carnal.
Vi naquela rosa toda a minha vida, todo o meu coração. E agora, espreito-a a medo, com um toque de vergonha no olhar, enquanto ela aproveita os últimos raios de sol, as últimas ondas de calor. Que bela! Que amor! Que paixão!
O vermelho já não é vivo, as pétalas já não são as mais belas e toda ela perdeu o seu encanto. 
Eu que tanto me revi naquela magnifica flor, pergunto-me: será que também eu perdi o encanto? Talvez tudo o que me reste sejam os espinhos. 
Ainda assim, mesmo despida, sem nada para além de pétalas caídas e espinhos no lugar, amo-a. Amo-a como gostaria que me amassem. Amo-a como amei a paixão que vivi.
Falo na primeira pessoa, falo de mim. Recuso-me a falar de uma paixão, por mim alimentada, como nossa. Recuso-me a falar de um coração como algo possuído por dois.
Não serei tua. Ser-me-ei sempre fiel. Sou minha, nunca o deixarei de ser, mas guardarei sempre parte de ti e nunca recuperarei o sorriso que te ofereci. Sorriso esse mais genuíno que o encarnado apaixonante daquela rosa.
Deixo-te ir. Deixo-me ficar. Enquanto a música não acabar e o sol não se puser, eu estarei aqui, ao lado da rosa, na esperança de uma nova vida, de uma nova cor, de um novo antigo amor.

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