quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Πάρε με

Leva-me o coração, leva-me a alma! Podes até levar-me o corpo, mas não me leves a inspiração. 
Cada dia que passa custa mais escrever. Já desisti das palavras poéticas tão vagas e cheias de sentimento. Não procuro mais escrever bonito e deixar a emoção no ar à mercê de cada coração.
Quero(-te) escrever simples e prático à semelhança de nossa imagem.
O tempo corre e o dia chega. 
Pedi apenas mais um beijo, um abraço, uma palavra. Pedi um último esforço. Negaste-mo.
Negaste-me tudo ao que me habituaste e levaste ainda tudo o que não te pertencia. Meu amor: leva o sorriso- ele será sempre teu; leva o coração - serás sempre por quem ele bate mais forte; leva a alma - já a viste nua; leva até parte de meu corpo, mas não me leves a inspiração - quem sou eu sem ela?
Preciso dela para te esquecer. Preciso de a ter comigo para te sobreviver. Preciso dela, somente, para me viver.
Sou tua, mas ela é minha, por isso não a tomes. Não tomes nada mais de mim, que pouco me resta. Deixa-me ser, com o pouco que deixaste.
Não te quero. Não quero o coração, não quero o amor nem a paixão. Quero apenas escrever.
Escrevo feio, confuso e rabiscado. Num esforço escrevo o que quis dizer e nunca tive coragem.
Escolhi-te, com todos os defeitos. Tinha quem desse tudo por mim, mas escolhi dar o mundo por ti. Tinha quem me desse o mundo e ainda assim escolhi dar-te tudo. Não guardei nada. Dei-te tudo o que podia, tentei dar até o que não possuía. Quis dar-te o mundo, as estrelas, o mar, a praia. Até o sol, que brilhava para mim, oh até esse te ofereci.
Tanto esforço em vão! Depois de abdicar de tudo por ti, abdicaste de mim.
Então vai. Por favor vai. E leva tudo o que te ofereci. Só não leves a minha tão preciosa inspiração, porque é dela que preciso enquanto não te tenho aqui.

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