segunda-feira, 31 de agosto de 2015

XXIII

Não tenho um futuro e ainda assim o temo. Não te tenho e, ainda assim, atormenta-me a possibilidade de te perder.
Nada tenho para te oferecer - nem mesmo o meu coração. Nada tenho, aqui, para ti. De qualquer das formas peço-te: fica. Fica onde ainda não estás, não saias do sítio onde ainda não chegaste e, por favor, não deixes de sentir o que ainda não sentes.
Sinto, já, a falta das mãos que nunca me tocaram, dos lábios que nunca me beijaram e da voz que nunca me falou. Sinto-te (em) falta.
Todo o tempo que passou, passa e continuará a passar nunca será perdido enquanto estiveres.
Sê meu, ou não, mas fica. Comigo, ou não, fica. Sonha, sorri, voa, vive, mas fica.
Fica para sempre nesta noite solitária, escura e fria. Fica, sempre, neste momento, aqui, assim.

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