sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Minto ao papel. Que desgraça a minha! Depois de tantos anos, segredos e confissões, amores e desamores, minto-lhe. 
Não quero crer em mim.
Engano o mundo na esperança de me enganar. Digo, no meio de tanta trapalhada sem sentido, a maior calamidade do momento: não te lembro.
Oh, quão desejava eu não te lembrar. Quão desejo não te lembrar. Mas todos os dias a tua voz ecoa na minha mente e o meu coração bate mais forte, vive mais; Porque de tudo o que mais amo e mais queria odiar, és o que mais me faz viver.
Vivo-te como se a mim me vivesse e, ver-me sem ti, é ver-me sem mim.
Não vás, não me leves. Vive-me, por favor, como a ti te vivo. Deixa-me despir-te a alma como tão facilmente despiste a minha.
Não quero palavras pensadas, ações planeadas, nem corpos nus. Quero uma alma pura, crua, com todos os defeitos e imperfeições.
Olha-me nos olhos e deixa-me ver-te com todas as imperfeições, com toda a luz, com toda a escuridão.
Deixa-me apenas ver-te, tal como me viste.
Esquece o preconceito, a falha, o feio. Esquece tudo - só não me esqueças a alma.

Sem comentários:

Enviar um comentário