3:45
De que me serve escrever se ninguém me lê? Para que me servem as palavras se nem eu sei a sua origem?
Ouvi dizer que na madrugada o coração fala mais alto, mas tudo o que ouço é um silêncio perturbadoramente calmo.
3:55
Temo as palavras que carregam um peso incalculável. Não as quero deixar à deriva, à mercê de mal entendidos. Quero senti-las, só, numa (in)felicidade egoísta.
Temo o sentimento matreiro que insiste em palpitar, implorando por liberdade.
Afogo-me no pensamento, enquanto as palavras ardem e a emoção me consome.
Nestas horas intermináveis até os meus mais fiéis companheiros me atraiçoam. Deixam-me só e revelam ao mundo todos os meus segredos.
Oh, que perigo és, madrugada!
Oh, quão prazerosamente te temo, madrugada!
A tinta não acaba, o papel é infinito e eu deixei de ser.
Não sou corpo, não sou alma. Não sou razão, mas há muito que ultrapassei o limite do sentimento.
Sou tudo, mesmo sendo nada. Sou (in)feliz, mesmo não o sendo.
4:15
Que perigo és, madrugada...
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