segunda-feira, 15 de junho de 2015

XVI

Continuo sentada no chão do meu quarto nesta apatia inabalável. O Sol nasce, o Sol põe-se, as  estrelas nascem e as estrelas morrem. O mundo muda e eu aqui.
Não sei o que pensar, escrever, ser. 
Já nada muda a expressão. Já nada muda a postura. Mergulho a cara entre as mãos e pergunto-me qual o propósito da vida, desejando apenas adormecer sobre o papel e esquecer tudo o que me rodeia.
É este desejo de solidão que me desola, mas o que posso eu fazer? Prefiro estar só que rodeada de corpos sem alma e de almas sem corpo.
Há muito que me perdi neste meu pequeno mundo. Há muito que ando perdida, sem rumo. Vejo o mundo pelos olhos de um alguém que não me é estranho. 
Por agora, tudo o que posso fazer é escrever. Por isso escrevo, só, o barulho que ocupa a minha mente e o silêncio que invade a minha alma - escrevo tudo aquilo que os meus lábios nunca foram capazes de dizer.
Escrevo, só, como os grandes escreveram, como os grandes sonharam, como os grandes foram. E desejo, um dia, também eu ser grande, escrever, sonhar, existir! Desejo, um dia, poder desejar.

1 comentário: