sexta-feira, 26 de junho de 2015

XVII

Quero um todo, o todo.
Quero-o mais do que a lua quer o sol numa noite escura, mas menos do que a sede do deserto quer a água. Quero-o muito mais do que o ar abafado quer o vento, mas menos do que o silêncio ensurdecedor quer o som. Mais do que as pessoas querem outras, mas menos que o mundo quer as pessoas. 
Quero o todo, mas não quero tudo.
Desejo ser feliz sem nunca abdicar da tristeza, voar sem tirar os pés do chão, sonhar sem perder a racionalidade e ser perfeita ser deixar de errar.
Quero muito, mas não quero demasiado, porque o demasiado é mais que o todo e o demais enjoa o ser.
Por isso peço um todo fragmentado que deixe de lado o tudo, um sorriso verdadeiro que nunca esconda as lágrimas.
Sonho, agora, sóbria depois de embebida em palavras e voo mais alto que nunca, sem tirar os pés do chão seguro.
Deixo as palavras poéticas e entrego-me a esta felicidade tão cheia de momentos tristes, a esta gargalhada tão fragmentada e a todas as lágrimas que sorriem enquanto percorrem a minha face.
Não sou tudo, não sou nada, mas sou algo - sou feliz.

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