quinta-feira, 11 de junho de 2015

XV

A chuva cai. O telefone toca. O tempo arrefece.
O sol já não brilha - nem na rua, nem na alma. O calor desapareceu e o frio ocupou o seu lugar.
Criei em mim a ilusão de uma presença que sempre se revelou ausente. Tenho em mim presente a imagem do que nunca foste. E tenho saudades!, do que não existiu, do que ficou por dizer.
Choro de desilusão. Esperei de ti aquilo que sempre mostraste não ser capaz de ser. Quão tonta fui eu; oh, que tonta!
Estas lágrimas consomem-se.
Não quero mais sentir, sonhar ser. Viver é uma maçada...
Tirei o som do telefone, mas o teu nome não desaparece do ecrã.
Atiro-o à chuva na esperança que te afogues nela e que leves contigo todo o sentimento de em mim despertaste.
Não quero mais ouvir o teu nome, sentir o teu cheiro, ter-te na minha mente, nas minhas lágrimas.
Não te quero mais. Demito-te da minha vida, alma, coração.

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