terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sala de Pânico

Um sítio apertado, com pouco ar. Sufoco. Fico sem voz. Tremo.
As paredes comprimem, o espaço é cada vez menor. Pânico. Preciso de sair daqui, preciso de achas uma saída. Gotas de água no rosto, lágrimas nos olhos, mãos à volta do pescoço. Mãos que me prendem, me impedem de respirar, mãos que me magoam. 
Um silêncio ensurdecedor apodera-se da sala. A luz desapareceu, perdi-me.
Não vejo, não oiço, não sinto. O medo consome tudo o que resta - medo de enlouquecer, de  morrer. Dor no peito, último suspiro.


Olhos fechados, luzes e sombras. O som do lento ritmo cardíaco, o apito da máquina. Ainda não abri os olhos, mas a escuridão começa a desvanecer. O ar está mais leve, eu estou mais leve.
Começo a ouvir vozes - não sei o que dizem; as vozes misturam-se na minha cabeça.
Abro os olhos em esforço. Demasiada luz. Luz, finalmente luz.
Já consciente: ligada a máquinas, máscara de oxigénio. A memória falha e só me lembro do nada - um vazio, um silêncio, uma ausência de ar.
Dizem que o meu coração parou, digo que o meu anjo me salvou.

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