terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Voz

Ela grita. A voz está cada vez mais alta. Rebusca todos os cantos da minha mente, descobre os meus segredos e medos.
Gritos impedem-me de pensar, ouvir. Gritos de presságio, dor e agonia preenchem a minha mente. A voz tem a sua vida, cria a ilusão e a desgraça.
Deixei de saber o que é real. Deixei de sentir, respirar. É como se estivesse presa num sonho, pesadelo. Mas e se isto for real? Se isto for a pura e crua realidade?
Belisco-me, arranho-me até a pele não aguentar mais. Grito até a voz me faltar. Choro até todas as lágrimas secarem.
Mando-a calar. Repito em voz alta o meu nome, idade, família; dia e hora. Concentro-me naquilo que ainda sei que é real. Ela continua, não a consigo parar.
A voz ri-se de mim e do meu [inútil] esforço. A voz dita os meus medos e a minha sentença , outra e outra vez. A voz grita comigo, outra e outra vez.
Suor. Lágrimas. Respiração acelerada. Coração acelerado. Visão turva. Tremor.
A voz diz-me adeus. A voz ganhou.

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