Ela voltou a iludir-se. Pobre menina, cai sempre na mesma armadilha. Promete sempre a si mesma não voltar a cair, não voltar a cegar, mas a promessa é sempre quebrada.
Por muito que não queira, é um menina sensível, frágil. É uma menina que acredita demasiado nas palavras e ignora as atitudes. Ela só quer um abraço, um carinho. Ela só quer ser feliz, de verdade, mas está demasiado ferida para tal. Viveu demasiadas mentiras, demasiadas ilusões. Ela desiludiu-se, mas pior: sente que desiludiu. Sente-se mal consigo mesma, sente-se culpada, egoísta, má.
Só queria chegar ao pé dela e dizer-lhe que não faz mal, que está tudo bem. Só queria chegar ao pé dela, dar-lhe a mão e ajuda-la a seguir em frente.
Grito para ela, grito para a ajudar, mas ela não me ouve - ela não consegue ouvir. Outras vozes sobrepõem-se à minha. Vozes estas que a tentam mandar a baixo, vozes que, de certa forma, o conseguem fazer.
Ela está cansada, está triste mas continua a sorrir, a ser positiva, a fazer os outros rir. Sim, porque a menina só se preocupa com os outros e talvez seja esse o seu grande problema - não se preocupar consigo mesma.
Eu estou aqui sentada, a olhar para a menina outrora feliz, outrora sorridente. Estou aqui sentada a olhar para a menina agora magoada e de lágrimas nos olhos. Eu estou aqui sentada, a olhar para o espelho, para o meu reflexo.
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