Ando por ruas estreitas, escuras, desabitadas. Fujo por caminhos que ninguém conhece na esperança de a despistar, mas ela não me larga. Fujo de uma sombra. Corro, corro e corro, mas ela continua atrás de mim. Uma sombra carregada, pesada, apoia-se em mim. Grito, faço de tudo para a fazer desaparecer, mas todos os meus esforços são em vão.
A lua, a única luz desta sombria rua, não me deixa livrar da sombra. Eu choro. Estou cansada. Não quero mais carregar com este peso, não quero mais sentir esta culpa, não quero mais ter esta sombra.
Desisto.
Sei que não vale a pena fugir. Encosto-me à suja parede da rua e deixo-me cair. Com os olhos em lágrimas, olho para a lua e sussurro "por favor". Nuvens aproximam-se, a lua começa a desaparecer e com ela leva a luz. Por sua vez, a luz leva a sombra e deixa-me por fim descansar.
Sem comentários:
Enviar um comentário