Existirá? Não será apenas uma ilusão, um sentimento criado para nos
proteger do nosso grande medo – a solidão?
E se nada disto existir? Talvez, apenas procuramos alguém, criamos um futuro
com essa pessoa na nossa cabeça e se gostarmos corremos atrás. Dizemos que é
amor, que nunca sentimos nada tão forte, mas será verdade? Se calhar apenas nos
sentimos reconfortados ao saber que, se ficarmos com essa pessoa, impedimos a
solidão. Criamos uma família, temos filhos
e fingimos ser felizes porque afinal, já não estamos sós.
E quando finalmente temos a pessoa que desejamos, o que se segue? Os “amo-te" repetitivos, os “para sempre” que nunca são cumpridos. Ficamos vazios e, por
vezes, sentimo-nos culpados – culpados por não conseguir amar, por não sentir
nada. Sentimo-nos culpados por estarmos vazios, por não conseguirmos ser
felizes. Sim, já não estamos sozinhos. Sim, já arranjámos solução para o nosso
medo, mas será isso suficiente? Valerá a pena sustentar essas mentiras? Não
será preferível morrer só?
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