Na dúvida, sonho-te. Sem saber se a dormir ou acordada, sonhei-te. Oh, e faz tempo que não sonhava.
Na incerteza do ser, sou-te e na interrogação da vida, respondo-me em ti. Não temo já a desgraça e o amor, a felicidade e o desamor.
Acordo-me no sorriso de uma noite mal dormida e adormeço na insónia amorosa da alma.
Não te quero - como te poderia querer?
Não te amo - como poderia amar?
Sinto-te, mas só nas horas vagas.
Vivo o que já vivi e amo o que sempre amei. Ainda assim, desconcertas-me o ser.
Nos pequenos silêncios da alma prometo não ser desgraça em ti. E nesses mesmos silêncios, penso da ridicularidade de minhas promessas.
Nos momentos em que te olhos sem me olhares confesso tudo aquilo que não confesso nunca. E nesses mesmos momentos penso na ridicularidade de minhas confissões.
Ah, que ridículo é por jurar e chorar, agarrar sem tocar. Que ridículo é por não te deixar teres a mínima noção do que sou e do que és (em mim).
A verdade é que não és nada, nunca foste. Não és nada, não sou nada, não somos nada. E quanto desejava ser tudo, ter-te todo, sermos tudo e todos... ah, que em mim já és mais do que minh'alma alguma vez sonhou.
No outro dia beijei-te a alma sem sequer te tocar. Nesse dia, perdi-me. Mas que me perderia mil vezes!, que me perderia em ti todas as vezes. Oh, mas não posso!, que me prometi não ser desgraça e que não quero nunca que o sejas em mim.
A razão e o peito deixam-me louca e a alma, esperta, já abandonou. Perco a alma para ti, o peito em ti e a razão em mim. Oh, que me perco em mim, em minha loucura e em meus sofrimentos disparatados.
No medo, refugio-me num olhar sincero. Na dúvida, encontro-me num meio sorriso tonto. No caos e na tempestade de mim, abraço-me ao que não está - mas que minh'alma se abraça a ti.
Talvez um dia sejas mundo, talvez um dia sejas universo. Oh, e que sejas infinito até... mas que eu seja sempre maior que tu!
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