sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Vão

(Quase) Tudo no mundo é vão. A vida é vã, tal como todas as suas sensações. Por vezes, até o mais verdadeiro sentimento é, de facto, vão.
Não creio, no entanto, nesta minha crença. Tento acreditar que algo valerá a pena e durará mais que uma brevidade.
O sentimento mais profundo, a recordação mais bonita, o abraço mais quente, o olhar mais penetrante. Oh, não pode ser vão! Por mais que queira livrar-me de todo o aperto que sinto em peito meu, desejo, profundamente, que este me seja eterno. Por mais que queira livrar-me de todo o sentimento, ele me reconforta; não quero que me abandone. Ah, e por mais que queira que desapareças, peço-te, imploro-te, que venhas até mim e não mais largues a minha mão.
Perder-me no oceano de teus olhos, no calor de teus braços e na imensidão de teu brilho... Oh, quanto o quero. Oh, quão perdidamente perdida em amor ficaria...!
Nunca tanto desejei me perder. Meu Amor, que teu sorriso me enche a alma e teu olhar ma leva; que teus braços me seguram e me fazem cair num abismo infinito.
Embebida em sentimento, o sentido abandona-me. Louca em emoção, as palavras me abandonam.
Mas quão fantástico isto é! Que felicidade é o amor sufocante que sinto. Quão refrescante é o fogo em meu peito. E que maravilhoso é o desencontro de mim mesma.
Sem alma vivo, sabendo quem a guarda. E quão bom é teres-me a alma.
Ah, meu Amor, quão bom é levares-me contigo, além terras, além mares.
Talvez sejas vão, à semelhança da vida. Talvez sejas eterno, tal como o sentimento mais profundo que jamais ser algum ousou sentir. Talvez...
Nas incertezas e descrenças, creio ter a certeza do que sinto. E sinto, sinto tanto, que o sentimento não cabe em mim.
Uma destruição perfeita arrasa-me. Uma queda infinita persegue-me. Um perigo desconhecido espera-me.
Mas oh, qualquer desgraça vale a pena, meu bem, porque tudo é vão, menos o calor de teu corpo, de tua alma, de teu ser.
E, em breve, tudo passará, tudo morrerá, excepto a memória de teus olhos brilhantes e teu sorriso aconchegante.
Tudo passará, tudo morrerá, menos o toque divinal que guardo em mim.

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